“Como Maçãs de Ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.” (Pv. 25.11)

“Feliz o homem que acha a sabedoria e o homem que adquire o conhecimento;
... é Árvore de Vida para os que a alcançam, e felizes são todos os que a retêm." (Pv. 3:13,18)

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Lançamento do 3o Volume da série "Construindo sobre a Rocha": Como Deus Usou uma Nevasca

  
Prezados leitores,
Anunciamos, com alegria, o lançamento do 3o volume da série "Construindo sobre a Rocha", pela editora Knox Publicações, e selecionamos os capítulos 14 e 21 da obra para oferecer aqui àqueles que gostariam de ter uma prova deste volume. 
Nossos filhos sempre serão beneficiados ao ler ou ouvir os testemunhos e exemplos de outras crianças piedosas e tementes a Deus, bem como sobre os grandes feitos do Senhor, e isto é o que os leitores encontrarão nas páginas deste volume. Nosso Deus é gracioso e pode usar até mesmo a menor de nossas crianças para a Sua glória. Que eles aprendam desde cedo a viver para o Seu agrado e, assim, que o Senhor lhes use, de modo discreto ou grandioso, enquanto crianças ou quando adultos, para a consecução do seu maravilhoso e eterno plano da redenção.


14. Dizendo “Por favor” e “Obrigado”

Benny era um menino de aproximadamente oito anos de idade. O seu pai não era um cristão, mas a sua mãe fazia o melhor que podia para ensinar Benny sobre Deus e a Sua Palavra. Durante as refeições em sua casa, não havia orações ou leitura Bíblica, pois o pai de Benny negava dar o respeito devido a Deus em sua casa.
    – Papai – começou Benny um dia – a mamãe disse que Deus lhe fez. Isso é verdade, papai?
    – Bem, sim, eu suponho que Ele me fez.
    – Mas o senhor não está feliz por Ele ter lhe feito? – persistiu Benny.
    – É claro que sim, Benny! Por que você faz tantas perguntas estranhas?
    Benny estava tentando entender algumas coisas que ele não entendia. Não muito tempo depois disto, Benny foi visitar o seu tio Sam. Este homem era um verdadeiro cristão. Ele sempre agradecia a Deus antes das suas refeições, e praticava o culto familiar todos os dias. Benny ficou bastante impressionado com tudo isso e ficava pensando consigo mesmo porque será que o seu pai não permitia isso em seu lar.
    Benny estava sentado à mesa do café, na manhã seguinte ao ter retornado para a sua casa, e então perguntou: 
– Papai, porque o tio Sam agradece e pede pela benção de Deus durante as suas refeições?
    – Eu acho que é porque ele quer – respondeu o pai de Benny.

    Benny deu um orgulhoso sorriso para o seu pai. 
– O tio Sam disse que ele sempre agradece a Deus pela comida dele, mas eu lhe disse que você não agradece porque você trabalha pela sua comida. Deus não lhe dá a sua comida de graça, não é? 
    O pai de Benny respirou profundo. 
– Bem – ele vagarosamente disse – para ser honesto, é Deus sim que nos dá a nossa comida.
    Benny olhou com grande surpresa. Ele não esperava que o seu pai fosse dizer isso. Por um tempo, ele comia ali em silêncio. Então, ele olhou para o seu pai e fez outra pergunta: 
– Papai, então será que Deus quer que você Lhe agradeça também?
    O pai de Benny esfregou as suas mãos sobre o rosto, e silenciosamente respondeu: 
– Sim, filho, eu acho que Ele quer.
    Benny permaneceu quieto novamente enquanto pensava sobre isto. Então, com uma expressão muito séria em seu rosto, ele disse: 
– Papai, que bom que Deus não é como você, ou nós nunca mais iríamos ganhar algo para comer, e então morreríamos de fome.
    – O que é que você quer dizer com isto?
    – Eu só estava lembrando – explicou Benny – que você não deixou Becky comer aquela maçã, naquele dia, porque ela não queria dizer “por favor”, e se Deus fosse assim, Ele nunca mais iria nos dar nada, porque nós não Lhe agradecemos, como o tio Sam faz, e nem dizemos “por favor”.
    – Benny – rugiu o seu pai – chega! Eu estou cansado de todas as suas perguntas! 
Com raiva, ele deixou a casa, indo ao seu trabalho sem nem se despedir.
    O pai de Benny foi ao seu escritório e tentou se concentrar no seu trabalho. Mas ele não conseguia esquecer daquilo que o seu filho tinha dito. Ele começou a ver que ele estava muito errado em não agradecer a Deus pelas Suas muitas misericórdias. 
Ao colocar de lado os seus papéis e fechar a porta do seu escritório, o pai de Benny passou algum tempo pensando e orando.
    Para a surpresa de toda a família, quando eles sentaram para o jantar, o pai de Benny disse: “Por favor.” 
Ele agradeceu a Deus pela comida, e pediu a Sua benção sobre ela. Ele pediu perdão à sua esposa e filhos por não lhes ter ensinado sobre Deus. Ele prometeu fazer o seu melhor para honrar a Deus e a Sua Palavra em seu lar daquele dia em diante, e pediu pelas orações deles para que Deus lhe ajudasse a ser um pai melhor.

“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.” (2 Crônicas 7:14)

Pergunta: Você consegue fazer uma lista das misericórdias que Deus já lhe deu em todas os momentos desde que você se levantou da cama, hoje pela manhã?

Leitura Bíblica: João 6:1-14.  


21. Como Deus Usou uma Nevasca


Bertha Schmidt, uma viúva temente a Deus, morava com Karl, o seu único filho, em uma agradável e organizada casinha, localizada junto à praia do Mar Báltico. Certo dia, contudo, uma notícia amedrontadora chegou ao povo desta vila tranquila. Um exército inimigo estava rapidamente se aproximando de uma cidade vizinha, e estaria passando por aquela área. Estes soldados provavelmente chegariam no próximo dia, saqueando, roubando e destruindo o que estivesse em seu caminho.
            O pobre Karl se ocupou em bloquear todas as portas e janelas, e em fortalecer e proteger a sua pequena casa o máximo possível, a fim de dificultar o seu arrombamento. Ele trabalhava a passos rápidos. Finalmente, ele se sentou em uma cadeira. O seu medo, portanto, não diminuiu após todo o seu esforço; ao invés disso, o seu temor só aumentava. Para tornar a situação ainda pior, uma tempestade de neve terrível estava ameaçando o local, e o vento soprava ao redor da casa, fazendo sons estranhos e barulhos assustadores.
            Karl, pálido e se tremendo todo, sentou-se em silêncio. A sua mãe, contudo, estava silenciosamente ocupada. Ela estava calmamente lendo a sua Bíblia e orando ao seu Deus. Finalmente, ela levantou os seus olhos e deu um sorriso para o seu filho. Ela repetiu duas linhas de uma poesia bem conhecida:

            “Ao nosso redor, parede forte o nosso Deus erguerá,
            E com grande tremor, nossos inimigos assustará.”


            Karl olhava para ela com incredulidade:
– Mãe, como é que a senhora pode acreditar nisso? – ele disse. – Como é que Deus pode erguer uma parede ao redor da nossa casa, forte o suficiente para manter o inimigo do lado de fora?
            – Karl, você nunca leu que “nem um pássaro cai ao chão, sem que Ele assim permita”? – ela respondeu silenciosamente. Karl não respondeu, mas apenas se remexia inquietamente.
            Durante a noite, a tempestade cessou. Logo depois, Karl ouviu o temível barulho do exército se aproximando. Gritaria, batidas e berros podiam ser ouvidos das casas dos vizinhos. O barulho do tumulto se aproximava cada vez mais. Karl se sentia doente de temor.
Finalmente, porém, os sons terríveis se aquietaram. O exército tinha passado. Karl ainda não ousava se mexer. Depois de algumas horas, ele retirou as tábuas das janelas e tentou abrir a porta. Ela estava presa. Depois de ter empurrado bastante, ele conseguiu abrir a porta apenas o suficiente para sair. Ele tinha de cavar o seu caminho para fora e para cima, pois a tempestade de neve tinha coberto toda a frente da casa!
            Depois de muito esforço, ele escalou sobre a grande massa de neve e desceu para a estrada. Ele parou ali em admiração. Ele não conseguia acreditar naquilo que viu! Da estrada, não se via casa alguma, somente uma grande massa de neve! “Ao nosso redor, parede forte o nosso Deus erguerá” – ele pensou. Ele escalou novamente sobre a montanha de neve.
– Mamãe! – ele chamou – Mamãe! A senhora tem que vir aqui para fora!
            Karl ajudou a sua mãe a passar pela porta e por cima da massa de neve. Ambos permaneceram de pé ali na rua, admirando toda aquela enorme “parede de Deus”. Eles choraram juntos por um tempo, e finalmente, a senhora Schmidt olhou para o céu e disse silenciosamente: “Fiel é Aquele que promete. O qual também o fará.”
            Deus pode providenciar respostas a orações que são imediatas e incríveis, em tempos de necessidade. Mas será que todas as respostas de Deus às nossas orações são imediatas e maravilhosas como esta?

Pergunta: O povo de Deus deve se preocupar e temer ansiosamente quando está em perigo? O que se deve fazer?
Leitura Bíblica: 2 Reis 7:13-23; Mateus 10:29.

terça-feira, 25 de abril de 2017

SUFOCANDO O JOIO


Sufocando o Joio

A maneira de controlar o joio no jardim é plantar muitas plantas boas e contrárias ao abrolho.


Já ouvimos a parábola sobre o joio que sufoca o trigo. Se fôssemos sábios, deveríamos usar a estratégia do nosso inimigo e tentar sufocar o joio com o trigo. A ocupação da mente com coisas edificantes é uma salvaguarda contra a tentação. Encher o cesto de milho minimiza a palha:  e com um coração cheio das verdades santas de Deus, o erro, a tolice e as vaidades do mundo não irão achar um lugar tão propício para se alojarem.


Esta ilustração fornece muita sabedoria no treinamento da criança. Semeie a mente da criança o quanto antes com as verdades da Palavra de Deus e instruções edificantes, e isso irá, em uma certa medida, minimizar o erro e a tolice. O falso brotará cedo se não ocuparmos a mente com o verdadeiro. Aqueles pais que têm receio de inclinar a mente da criança a preconceitos se a ensinarem a orar, e plantarem cedo a semente da piedade, irão descobrir que o Diabo não é tão escrupuloso, e que ele não perdeu tempo em ensinar a criança a falar palavrões e tudo mais que não presta. Não há problemas em tornar o campo tendencioso em favor do trigo desde a primeira oportunidade.

No caso dos divertimentos para crianças, é muito melhor providenciar do que proibir. Devemos prover os jovens com várias atividades interessantes, saudáveis e agradaveis, e eles vão ter menos tempo e desejo pelos encantos desse mundo perverso. Se nós estamos preocupados que nossos filhos vão se alimentar de forma não saudável fora de casa,  então vamos o tanto quanto possível tirar o apetite para estas coisas prejudiciais providenciando uma mesa boa em casa.


- tradução e paráfrase por Margaret Davis da história "Choking the Weeds", do livro "Flowers from a Puritan Garden", (Flores de um Jardim Puritano), em que o famoso pregador Charles H. Spurgeon reúne uma coleção de ilustrações retiradas dos escritos do puritano Thomas Manton, e as expõe de maneira breve e devocional.

domingo, 16 de abril de 2017

ELE LIDERA O CAMINHO - Frans Bakker

Neste Domingo de Páscoa, lembremos-nos disto:


ELE LIDERA O CAMINHO

Por Frans Bakker

“Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vai adiante de vós para a Galiléia; lá o vereis, como ele vos disse.” (Marcos 16:7)


O Rei ressurreto lidera o caminho para o Seu povo. Pessoas caídas e indignas são chamadas a Lhe seguirem. Você não precisa possuir coisa alguma para seguir este Rei quando Ele vai adiante de você para a Galiléia (o lugar onde você já experimentou uma comunhão mais próxima com o Salvador). Nada é esperado da sua parte, pois Este é o Rei que glorifica a Si mesmo, ao doar a Si mesmo. Pois para a Sua glória, Ele lhe dá tudo o que você precisa. E é a Sua honra que concede vida a você, que na verdade é digno de morte. Agora, esta é não apenas mais uma comemoração de páscoa pelo seu povo, mas acima de tudo, uma celebração ao próprio Rei ressurreto. O Seu nome é glorificado na Sua busca e no resgate de pecadores culpados.
Jesus é coroado o Rei dos Reis no dia da Sua ressurreição. Ele é coroado Rei quando aqueles que são culpados de morte o buscam. A coroa de Mediador é posta em sua cabeça, pois Ele não é um rei terreno, que é glorificado somente ao receber honra e glória. Este Rei não pede por sacrifícios; Ele sacrifica a Si mesmo pelos Seus servos, até mesmo à morte de cruz. Ele é, portanto, altamente exaltado por aqueles que são dignos da sua cruz.
Na exaltação de Jesus, os “discípulos Pedros” deste mundo começam a chorar novamente. Desta vez, não com lágrimas de amargura, como resultado de uma real convicção de pecado, mas com doces lágrimas de alegria, em virtude da graça de Deus livremente concedida a eles. Jesus se tornou, por eles, naquilo que eles deveriam ter sido diante de Deus. Jesus morreu por eles, quando eles ainda pensavam ser isto desnecessário. Ele os amou até o fim, mesmo quando eles não O queriam reconhecer, e quando o seu pecado lhes fazia tão vil e cheios de culpa. Mas o poder da Sua ressurreição é maior do que o poder dos seus pecados.
“Dizei a seus discípulos e a Pedro”: Conte as boas novas àqueles que são indignos, e também àqueles que se veem como os mais indignos. Conte-lhes que Jesus irá adiante deles para a Galiléia. Conte-lhes que Jesus irá para onde quer que o seu caminho os leve. Embora o seu caminho possa levá-los pelo meio do mar da opressão, ou pelo fogo da tentação, Jesus estará ali. Eles podem ter de trilhar por um caminho que eles não desejam, mas certamente, tudo lhes correrá bem enquanto Ele for adiante deles.
Finalmente, Ele também irá adiante deles pelos portões da morte. Porque Ele é vitorioso sobre a morte e o inferno, eles não serão derrotados pela morte. Ele também vencerá este último inimigo para eles, a fim de levá-los seguramente através do Rio Jordão, indo adiante deles até passarem pelos portões dos céus. A Sua ascensão aos céus deve seguir a Sua ressurreição. Foi Ele mesmo quem disse:
“Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo.” (João 17: 24)
O céu será, sem comparação, o melhor lugar para eles. Eles nunca O abandonarão e nunca O negarão ali. Ali eles viverão eternamente em comunhão com o seu Rei. Deus terá o seu povo novamente, para permanecerem para sempre no paraíso.         

Frans Bakker (1919 – 1965) foi um ministro holandês que, embora tenha exercido o ministério por apenas oito anos, visto ter sido levado para o seu lar de descanso à uma idade relativamente nova, deixou muitos valiosos escritos devocionais, que servem como saudável alimento às nossas almas.  

*Traduzido e adaptado da obra “The Everlasting Word” em inglês. Reformation Heritage Books, 2007, p. 174-175.




                                                                                


domingo, 26 de março de 2017

ENSINA A CRIANÇA - Susan Huntington


"Eu creio que até mesmo o melhor dos santos de Deus, ao contemplar de perto uma vasta eternidade, terá de lamentar qualquer distância que tiveram de Deus ao longo da sua caminhada: lamentará não te-Lo tido em todos os seus pensamentos, como um Deus presente, sempre às suas vistas. Lamentará não ter tido os seus olhos sempre cheios Dele, vendo-O e reconhecendo-O em tudo. Pois Ele está em tudo, possamos nós vê-Lo ou não. Ó, o saber que Ele é nosso, e que nós somos Dele! Ó, o achegarmos nós a Ele, em fé, e contar a Ele tudo o que está em nossos corações, conscientes de que temos o ouvido e o coração do próprio Jeová voltado para nós em nossas aflições... não é isto a mais substancial e verdadeira felicidade?" 
Mary Winslow (1774 - 1854)


ENSINA A CRIANÇA  - Susan Huntington

Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho, não se desviará dele (Prov. 22:6)

                  "Dificilmente existe um assunto que traga mais ansiedade ao meu coração do que a educação apropriada de meus filhos. Essa é uma questão delicada e difícil, e quanto mais reflito em minhas obrigações maternas, mais percebo o quanto EU mesma tenho que aprender. A pessoa que tem a responsabilidade de formar a mente de uma criança, de cortar os impulsos distorcidos e dirigir e moldar aqueles que devem, no devido tempo, tornarem-se galhos belos e frutíferos, deve possuir um profundo e acurado conhecimento da natureza humana.
                  Não é uma tarefa fácil identificar não somente os princípios e hábitos de pensamento como também perceber as causas que os produzem. Não é uma tarefa fácil não somente promover associações corretas, mas remover as impróprias, que podem ter encontrado um lugar nas mentes de nossas crianças. Mas tal é a tarefa de cada mãe que cuida e se importa verdadeiramente com a educação de seus filhos. Adicione a isso a dificuldade de manter aquele uniforme e consistente curso de conduta que os filhos devem sempre observar em seus pais.
                  Não somente o preceito deve ser dado de não amarmos o mundo, mas nossa vida e conduta devem falar o mesmo. Não apenas devemos exortar nossos filhos quanto ao dever da paciência em suas pequenas provações e tristezas, como nós também devemos praticar esses custosos exercícios de submissão, que eles perceberão facilmente que se tratam de galhos vigorosos da mesma raiz, cujos tenros ramos eles são exortados a cultivar. Não apenas devemos rogar a eles que busquem em primeiro lugar o Reino de Deus, como devemos cuidadosamente deixá-los perceber que não somos facilmente abatidos ou desanimados pelo olhar de censura ou sorrisos bajuladores do mundo, como tantos o são. Resumindo, nossas metas são nada menos do que: a mais perseverante busca na aquisição do conhecimento necessário, a mais decisiva fidelidade no que diz respeito a um consistente curso de piedade, e sobretudo, a mais persistente súplica ao Único que pode nos capacitar a tomar as resoluções corretas e a agir de acordo com elas. Somente Ele pode nos habilitar a executar de maneira apropriada os deveres e obrigações que são delegadas, por Ele mesmo, a nós, mães."

*Traduzido do original em inglês por Layse Anglada.



Segue uma aplicação prática desse conselho  por uma jovem mãe dos dias de hoje:

"Há dias nos quais me sinto a melhor mãe do mundo. 'Consigo' ser paciente, mansa, atenciosa e sábia. Há dias nos quais sou firme nas ordens e não cedo ao choro. Há dias nos quais 'consigo' adoçar minhas palavras com misericórdia e abraçar meus filhos nos momentos certos, sem ser rejeitada por eles.
E então há dias nos quais Deus decide humilhar esta mãe.
Esses são os dias difíceis, de doenças, de cansaço, de imprevistos, ou simplesmente da minha própria falta de disposição. São dias nos quais meu egoísmo e meu orgulho arreganham os dentes e rosnam aos meus filhos, e nos quais a melhor hora do dia é a hora de dormir, na qual eu posso finalmente jogar os pés ao alto. São dias nos quais não me sinto amada pelos meus filhos. São dias nos quais sinto-me explorada por dois pequenos opressores que não me largam o pé.
Num desses dias difíceis, quando joguei os pés ao alto, reli um trecho precioso do Salmo 119:
'O SENHOR é a minha herança; prometo obedecer às tuas palavras. Imploro teu favor de todo o coração; tem piedade de mim, conforme tua palavra. Quando considero meus caminhos, volto os pés para teus testemunhos. Apresso-me a obedecer aos teus mandamentos.' (Salmos 119:57-60)
Imploro o teu favor de todo coração! Como sou um fracasso como mãe! Como isso me quebrou o coração! Como eu preciso do favor e da piedade do Senhor! Filhos são herança do Senhor. Mas o Senhor é a maior herança que eu poderia receber. Ele é a minha porção. E é por isso que eu sou livre para amar meus filhos sem colocar neles o fardo de me fazerem feliz. Eu labuto dia e noite não para que eu conquiste minha herança e para que eu seja amada, mas porque já sou amada. Porque a maior herança já me foi dada.
Que possamos seguir os dias amando aos nossos filhos humildemente e sem o fardo de precisarmos amar a nós mesmas, sabendo que precisamos do favor do nosso Senhor e que Ele já deu a Si mesmo para nós como herança. Maior favor do que isso não existe. Ele nos sustentará nos dias difíceis". 
– Hendrika Vasconcelos

“Mamães, nossos filhos pequenos amarão no futuro o que nós amamos na prática hoje.
Se tratarmos o culto dominical como um fardo, com legalismo, ou se dissermos 'se der, nós iremos', que mensagem estamos passando a eles? Pratique visivelmente o seu amor pelo Dia do Senhor. Comece hoje!” 
– Hendrika Vasconcelos




*Textos publicados com autorização da autora.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Reflexões sobre o Casamento - por J. C. Ryle e John Bunyan

Prezados leitores,
Estamos em viagem, e este blog provavelmente continuará inativo pelas próximas semanas.
Contudo, sendo o motivo de nossa viagem o casamento de uma querida irmã, eu gostaria de deixar algo para refletirmos sobre este tema tão relevante em nossas vidas, seja para os que já se encontram neste estado, seja para aqueles que ainda planejam ou esperam ingressar nele.
Providencialmente, em uma de nossas leituras matinais destes últimos dias, deparei-me com este precioso trecho de J. C. Ryle sobre o bendito estado do casamento, bem como com o poema traduzido abaixo, do conhecido autor puritano John Bunyan, e gostaria de compartilhá-lo com os irmãos. Boa reflexão!

João 2:1-11

Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, achando-se ali a mãe de Jesus. Jesus também foi convidado, com os seus discípulos, para o casamento.
Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm mais vinho.
Mas Jesus lhe disse: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.
Então, ela falou aos serventes: Fazei tudo o que ele vos disser.
Estavam ali seis talhas de pedra, que os Judeus usavam para as purificações e cada uma levava duas ou três metretas.
Jesus lhes disse: enchei de água as talhas. E eles as encheram totalmente. Então, lhes determinou: Tirai agora e levai ao mestre-sala. Eles o fizeram.
Tendo o mestre-sala provado a água transformada em vinho (não sabendo donde viera, se bem que o sabiam os serventes que haviam tirado a água), chamou o noivo e lhe disse: Todos costumam por primeiro o bom vinho e, quando já beberam fartamente, servem o inferior; tu, porém, guardaste o bom vinho até agora.
Com este, deu Jesus princípio a seus sinais em Caná da Galiléia; manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.



Quão honroso é, às vistas de Cristo, o estado do matrimônio! Estar presente em um casamento foi praticamente o primeiro ato público do ministério terreno do nosso Senhor.
O casamento não é um sacramento, como a igreja Romana declara. É simplesmente um estado de vida ordenado por Deus para o benefício do próprio homem. Mas é um estado do qual nunca se deve falar com leviandade, ou se considerar com desrespeito! O livro de Oração bem descreve o casamento como um “estado de honra, instituído por Deus no tempo de inocência do homem, significando, para nós, a mística união entre Cristo e a Sua igreja.” A sociedade nunca estará em uma condição saudável, e a verdadeira religião nunca florescerá  naquela terra em que o laço de casamento é pouco estimado. Aqueles que não o valorizam não possuem a mente de Cristo. Aquele que embelezou e adornou o estado do matrimônio com a sua presença e com o seu primeiro milagre em Caná da Galiléia é Aquele que não muda de ideia. “O matrimônio”, diz o Espírito Santo pela caneta do apóstolo Paulo, “seja digno de honra entre todos” (Heb. 13:4).
Uma coisa, contudo, não deve ser esquecida: O casamento é um passo que tão seriamente afetará a felicidade temporal e o bem espiritual de duas almas imortais, que ele nunca deve ser tomado nas mãos de maneira ‘inadvertida, mal-pensada, desnecessária, ou sem a devida consideração’. Para que este seja verdadeiramente feliz, ele deveria ser tomado de maneira ‘reverente, discreta, sóbria e no temor do Senhor’. A bênção e a presença de Cristo são essenciais para um casamento verdadeiramente feliz. O casamento que não oferece lugar para  Cristo e os seus discípulos não é um casamento que se possa justamente esperar que prospere.
Nós aprendemos destes versos que há certas vezes em que é correto e bom se alegrar e regozijar. O nosso próprio Senhor Jesus sancionou a festa de casamento com a sua própria presença. Ele não se recusou a ser um convidado de um casamento em Caná da Galiléia.   



A esposa de Cristo – John Bunyan

Quem é essa que vem do deserto
Coluna a fumegar com perfume encantador
Apoiada ao pai, de pesar coberto,
Ao qual foi concedida pelo Confortador?

O Sol é seu vestido, estrelas lhe coroam
A lua de prata fez-se o seu estrado
Persegue-lhe o dragão, seus rugidos soam, 
Contudo ela descansa à sombra do amado.

Mas de onde ela veio? Qual seu povo, sua raça?
Não era o seu pai um pobre Amorreu?
E sua mãe, qual sua desgraça,
Senão uma miserável do povo Heteu.

Sim, no triste dia em que nasceu,
Portas afora foi lançada com desdém,
Fétida e despida, desprezada pelos seus
Que triste pedigree tinha também.

Contudo agora vem em seu adorno
De cabelos longos, e busto ornamentado,
Herdeira é feita do mais alto reino,
Ao vento seu deslustre é soprado.

Lançada foi, mas agora é tomada,
Vestida e limpa, ao seu novo lar levada,
Amada é a que outrora era descalça
Qual princesa agora, não mais abandonada.



Pois o seu Amado é o mais honroso
Jeová, onipotente é que se chama
Fonte de vida, Rei valoroso,
Só dele vida e glória sempre emana.

Quanto ao seu tesouro, herdeiro é de tudo,
Do que existe na terra ou no céu
E esta agora tem galardão seguro,
Tudo é seu, aqui e além do véu.

Sim, Ó moça, bom foi Deus contigo,
De desprezada, agora és feita rainha,
Poucas há que outrora sem abrigo,
Convertida foi na mais nobre esposa minha.

Assim, não te orgulhes, lembra-te de Quem
Por natureza, encontrastes graça,
Mas em ti mesma ainda ficas muito aquém 

Assim tuas manchas cubra e o bem faça.