“Como Maçãs de Ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.” (Pv. 25.11)

“Feliz o homem que acha a sabedoria e o homem que adquire o conhecimento;
... é Árvore de Vida para os que a alcançam, e felizes são todos os que a retêm." (Pv. 3:13,18)

quinta-feira, 3 de maio de 2018

A CESTA DE FLORES - UM CONTO PARA CRIANÇAS - Capítulo 1

A Cesta de Flores - Um Conto para Crianças




Essa é uma tradução do belo livro do alemão Christoph Von Schmid “A Cesta de Flores - Um Conto para Crianças”. Trata-se uma tocante história sobre uma menina e seu pai jardineiro, que lhe ensina, por meio de suas flores, lições de piedade que sustentarão a jovem no poder da verdade e do perdão em meio à perseguição e falsa acusação que precisarão enfrentar. Disponibilizaremos aqui os capítulos desse livro à medida que forem sendo traduzidos. 



Capítulo 1 

O Início da História de Nossa Heroína

Os eventos narrados neste pequeno livro aconteceram muito tempo atrás, em um país muito distante do nosso. Isso explica alguns modos e costumes que parecem estranhos para muitos jovens leitores, mas nos esforçaremos para fazer a história tão simples e familiar de forma que todos os que lerem poderão entender as lições que pretendem ser transmitidas. A natureza humana é a mesma em todos os países. Por um lado, temos o coração humano, pecador, produzindo uma vida longe de Deus que leva à completa miséria e tristeza, e, por outro lado, temos a solução para essa aflição, na obra do Espírito Santo de Deus, gerando um relacionamento pessoal com Jesus Cristo que leva a uma vida com propósito e paz. “Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10:13).

O livro inteiro é cativante e cheio da mais valiosa instrução moral e bíblica, e assim, estamos convencidos de que jovens e idosos também o lerão com prazer e tirarão muito proveito dele.

James Rode, que foi o pai de nossa heroína, Mary, nasceu de pais pobres e respeitáveis na Alemanha. Quando ele era ainda jovem, aprendeu a arte da jardinagem no Condado de Eichbourg. Sendo um rapaz de boa inclinação natural, disposição amável e distinto por sua retidão de caráter, ele logo se tornou querido por todos, e ao invés de, depois de ter aprendido o seu trabalho, ir embora para seguir seu próprio rumo, o Conde o empregou como seu próprio empregado, e ele realizou tão fielmente as suas funções, conforme avançou na vida, que o Conde lhe ofereceu um emprego honroso e lucrativo no magnífico palácio que possuía em Viena.

James era agora obrigado a fazer uma escolha, como aquela posta diante de Ló quando escolheu ir a Sodoma e viver naquela terra bem regada e agradável. James, no entanto, sabia que lá ele poderia ser obrigado a fazer várias coisas contrárias à sua consciência. Assim, ele recusou a posição honrosa e lucrativa que lhe fora oferecida e preferiu voltar à tarefa humilde da qual ele havia sido retirado. O Conde de boa vontade lhe arrendou, sob condições acessíveis, um pequeno pedaço de terra próximo a Eichbourg. Esse pequeno campo tinha um chalé encantador, um pomar com muitas árvores frutíferas e um ótimo quintal. Pouco depois, James casou-se com uma jovem moça da vizinhança que era uma órfã, mas que havia experimentado do mesmo precioso presente de Deus e assim, James mostrou a sua obediência ao preceito divino de “casar somente no Senhor”, um preceito tão negligenciado que traz uma grande porção de infelicidade a multidões. Por vários anos, James e sua esposa caminharam juntos pela peregrinação da vida, adornando, de sua maneira humildade, a doutrina de Seu Salvador em todas as coisas, não só para ganharem respeito e afeição para si mesmos, mas para o Senhor e Salvador a quem eles professavam. Não importa o quão humilde a situação que qualquer verdadeiro filho de Deus possa ocupar, se ele é constante em seu proceder e em sua conversação, ele é uma testemunha para a verdade que nenhum inimigo é capaz de contradizer. 

Muitos anos agradáveis se passaram suave e alegremente. Filhos foram enviados por Deus para animar a vida no chalé e James e sua esposa desfrutaram por algum tempo da mais pura felicidade terrena. Mas, Deus, que castiga até mesmo os seus filhos mais amados, não permitirá que eles se apeguem muito profundamente às coisas terrenas. As aflições são então enviadas para lembrá-los de que esse mundo não é seu repouso - para afastar suas afeições do mundo e firmá-los confiadamente no porvir.  Agradou a Deus tomar os filhos de James, um a um, afrouxando assim gradualmente os seus laços terrenos e, por fim, o mais severo dos golpes foi dado, de modo que, após uma breve doença, a sua amada esposa seguiu os seus filhos. Ela morreu, bem como viveu, na plena esperança da glória eterna, fundada nas promessas daquele que é “a ressurreição e a vida” (Jo 11: 25). O luto do marido foi amenizado pela resignação do Evangelho e pela abençoada expectativa de encontrar a sua esposa onde os amigos que amaram o Senhor nunca poderão ser separados dEle ou uns dos outros. Quando aqueles que amamos “morrem no Senhor” podemos dizer:

“Por que chorar por amigos que partiram 
E os alarmes da morte soar?
A morte é apenas um servo que Jesus enviou
Para aos seus braços nos chamar!”

No momento em que essa história começou, James Rode estava com cerca de sessenta anos de idade e seus cabelos estavam quase tão brancos quanto a neve sobre as montanhas. De sua numerosa família, lhe restara apenas uma filha, e nessa amada criança ele depositou todo o seu cuidado e afeição. Ele a chamou de Mary, como sua mãe. Ela tinha apenas cinco anos de idade quando a sua mãe morreu. Todos os vizinhos a achavam bonita e às vezes eles eram indiscretos a ponto de dizer isso na frente dela - o que é um grande erro, pois todas as crianças são naturalmente inclinadas à vaidade. O que realmente valia a pena chamar de lindo é que ela amava muito a seu pai e era modesta e obediente. A menina crescia e se tornava diariamente mais cativante. As instruções e orações de seu pai pareciam tê-la abençoado, pois ela aparentava crescer em bondade à medida que crescia em estatura.

Quando Mary completou quinze anos de idade, o seu pai a colocou à frente de todos os afazeres da casa. Nunca houve uma moça mais amável e prestativa. A pequena residência deles era um exemplo de cuidado e ordem; nenhum sinal de poeira era visto ali e os utensílios da cozinha estavam sempre tão bem polidos que podiam ser confundidos com novos.

James Rode, como já foi dito, era um jardineiro. Ele obtinha o seu sustento pelo cultivo de frutas e vegetais que, uma ou duas vezes por semana, ele levava para o mercado que ficava na cidade mais próxima da sua fazenda. Seu maior deleite, porém, era o cultivo de flores e nessa ocupação, Mary sempre o ajudava quando podia ser dispensada das tarefas da casa. Ela considerava as horas dedicadas a esse trabalho as mais felizes de sua vida, pois seu pai tinha a capacidade de transformar o trabalho em prazer com instrução, alegria e, acima de tudo, com conversas piedosas.

Mary, que cresceu como se estivesse no meio das plantas e para quem o jardim era um pequeno mundo, descobriu logo um gosto inegável pelas flores. Suas flores eram suas amigas e companheiras e ela cultivava as novas flores com todo o cuidado e assiduidade. Os brotos de todas as estranhas espécies eram objetos de deleitoso estudo. Ela ocupava a sua jovem imaginação pensando em que tipo de flores eles poderiam produzir. Ela mal podia esperar que desabrochassem e então, quando a flor tão impacientemente esperada aparecia em todo o seu esplendor, ela corria animada para contar a seu pai sobre seu novo tesouro. James sorria com a alegria dela e se alegrava ao vê-la satisfeita com prazeres tão inocentes. O velho jardineiro costumava dizer: “Deixe os outros gastarem seu dinheiro em jóias e vestidos exuberantes e outras vaidades, eu usarei o meu para sementes de flores”. “Como tantos homens” - dizia ele - “esbanjam muito mais dinheiro com frivolidades para seus filhos do que eu gasto com sementes de flores, sem conseguir dar-lhes metade da alegria que Mary sente com as flores dela! O amor por vestidos e enfeites degrada a alegria e torna o caráter frívolo, pois jóias e tecidos não podem dar aos nossos filhos um prazer tão puro quanto essas pequenas amostras da sabedoria e da benevolência de Deus. Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles (Mt 6: 28, 29)”.

Era raro alguém passar pelo jardim sem parar para admirar a beleza das flores. Até mesmo as crianças da vizinhança, quando estavam passando para ir à escola, nunca deixavam de espiar pela cerca e eram frequentemente recompensadas por Mary com alguns pequenos presentes de flores, como um sinal de sua afeição. 

James, como um pai sábio, aproveitava o amor de sua filha pelas flores e direcionava esse interesse para um fim nobre. Na beleza das várias flores que adornavam seu jardim - na encantadora variedade de suas formas, na igualdade de suas proporções, no esplendor de suas cores e na delicada doçura de seus perfumes - ele a ensinava a ver e admirar a sabedoria e a bondade de Deus. James tinha a visão espiritual com a qual conseguia enxergar o Criador em Suas obras e ler as mensagens abençoadas que Ele envia a Seus filhos.

Os céus proclamam 
a glória de Deus, 
e o firmamento anuncia 
as obras das suas mãos (Sl 19: 1)

Buscar-me-eis e me achareis 
quando me buscardes 
de todo o vosso coração (Jr 29: 13)



sexta-feira, 27 de abril de 2018

CONSELHOS PARA MÃES DE PRIMEIRA VIAGEM

CONSELHOS PARA  MÃES DE PRIMEIRA VIAGEM

- Compilado por Layse Anglada - 


Alguns anos atrás me pediram para preparar uma programação para um chá de bebê de uma jovem mãe que iria ter o seu primeiro filhinho. Não quis – e nem sei  – fazer apenas brincadeiras; então achei que poderíamos usar a oportunidade pra alguma coisa mais útil. Resolvi, então, pedir a algumas irmãs – tanto de nossa igreja como outras irmãs que considerava experientes -  que pensassem em alguns conselhos que elas julgassem importantes pra dar às mamães de primeira viagem, e preparamos uma pequena programação com encenações. Segue o resultado compilado  - que serviu de roteiro para a programação -  e que contém conselhos úteis para todas nós (lembrem que isso é uma compilação, o que significa que pode haver pequenas discordâncias no item “Dicas Práticas”: não há unanimidade em certos assuntos ).

1°) Prepare-se para ser mãe.

Tudo na vida exige preparo. O sucesso que teremos em determinadas posições será, em grande parte, determinado pelo nosso preparo. Você já parou pra pensar quantos anos são gastos para se exercer uma atividade profissional (que será exercida por uns 30 – 35 anos e depois... aposentadoria)?  8 anos de Ensino Fundamental  + 3 anos de Ensino Médio + 4 anos de Faculdade, fora especializações, etc.  Gastam-se, no mínimo, 15 anos em estudos, provas, trabalhos, estágios, etc. E que preparo temos para exercer a atividade mais importante do mundo, da qual resultará o destino temporal e eterno de nossos filhos? Então: Estude, leia livros, revistas, sites e blogs confiáveis na internet; pesquise, pergunte, converse com outras mães sobre suas dúvidas; consulte o seu marido sobre a maneira como desejam educar seus filhos desde pequenos, para que não haja divergência entre vocês. E pra não acontecer coisas parecidas com isto:

Cena 1: Mãe estressada, sem experiência, não sabe cuidar do bebê, e ainda recebe a visita das duas avós, que acabam brigando por discordarem quanto à maneira como o netinho deve ser alimentado (amamentado, leite ou mingau? Pode dar chazinho ou água?  - Claro que sim! De jeito nenhum! E as mamadas? Com horário ou quando o bebê quer?

2°) Mesmo assim, saibam que estarão despreparadas.

Mesmo estudando e pesquisando, quando vemos aquela criaturinha tão especial, dá uma sensação de insegurança, medo e dependência (socorro, Mamãe!). Aquele serzinho que a gente ama desde o primeiro momento tem hábitos, horários e atitudes que não conhecemos ainda. Às vezes, nosso cansaço, noites mal dormidas, choro excessivo do bebê, hormônios em desequilíbrio e outras variáveis podem nos deixar tristes, depressivas e até mesmo desesperadas! Não se preocupe. Você não está sozinha, nem será a única. É a experiência de quase toda mãe, mesmo de mães cristãs. Mas aqui está o segredo: quando somos fracas, aí é que somos fortes. Nessa hora, busque sua força, paz e direção nAquele que nos convida tão graciosamente: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei” e “lance sobre ele todas as vossas ansiedades, porque Ele tem cuidado de vós”. Lembre-se ainda de que o Deus que lhe deu o chamado da maternidade também a capacitará, se você estiver em humilde dependência da Sua graça, segundo a promessa: “Instruir-te-ei e te ensinarei  no caminho que deves seguir, e sob as minhas vistas, te darei conselho”. E não negligencie o mandamento bíblico da gratidão e do contentamento. Alegrai-vos sempre no Senhor! As vovós e mães de filhos mais velhos nos lembram que um dia você terá saudade desses meses e anos tão especiais que passaram tão rápido, então ao invés de ser tentada a reclamar ou a sentir pena de você mesma, busque e peça a Deus por uma atitude de gratidão, mansidão e alegria.

3°) Não esqueçam dos maridos.


Nos primeiros dias, quase todo nosso tempo vai para o cuidado do bebê. Lavar e passar roupa, dar banho, mamada, passeio da manhã, fazer a sopinha e vitamina ... parece fácil, mas, ocupa bastante. E o marido? E a jovem e atarefada mamãe pergunta: quem?!
É, o marido, sim, senhora! Faça um esforço para ter tempo para ele, para que quando ele chegar em casa o ambiente esteja agradável e não um C A O S! Para isto, estabeleça prioridade e horários, inclusive para o bebê. Não gaste tempo com atividades menos importantes. Adapte-se, nos primeiros dias, ao horário do bebê (depois, é você quem deverá adaptá-lo ao seu, mas não agora) e aproveite o tempo livre para cuidar também de você (materialmente e espiritualmente falando). Quando o marido chega em casa é claro que ele quer ver o bebê, mas você é a prioridade dele! E lembre-se: ele também passou o dia todo trabalhando, aguentando um chefe ranzinza, colegas preguiçosos, etc.

*[Uma palavra aos maridos: Por favor, esforcem-se também e tenham um pouquinho de paciência com elas! Muitas vezes não é fácil!] Se não, olha o que pode acontecer: 

Cena 2: Mãe estressada pelos afazeres e cuidados com o bebê, quando o marido chega em casa, ela faz uma lista do trabalhão que teve, joga o bebê pra ele e diz: “É todo teu!”

4°) Não negligencie a disciplina dos pequenos– lembremos do conselho da mãe de John Wesley: "A primeira e mais importante atitude na educação de uma criança é DOBRAR-LHE A VONTADE.

O que isto quer dizer? Quer dizer saber dizer NÃO! Eles devem aprender que suas vontades não são soberanas, mas devem submeter-se à vontade de seus pais. Devem aprender a ter limites: devem ser treinados a ficarem quietos em certas situações, a interromper atividades que lhes dão prazer porque está na hora de dormir, a não interromper a conversa dos outros, etc. e essa é uma tarefa constante, em regime de tempo integral, pois a menor falha ou falta de perseverança estraga todo o processo. Mãe, sogra, tia, empregados, podem lhe ajudar, mas não substituir. E lembre-se: é preciso ser firme (no dizer da SuperNanny: “ter voz de comando”) e autoridade (que é conferida aos pais pelo próprio Deus). É importante, como frisado, ter consistência e perseverança.


- Observação: Crianças mais novas só entendem a linguagem da disciplina física; à medida que crescem mais, conversas e outras disciplinas (castigos) vão sendo mais adequados. Outra observação: a disciplina física deve ser um “acontecimento” (não deve ser banalizada) e deve ser aplicada pelos motivos corretos: rebeldia e desobediência. Simples traquinagem (embora deva ser corrigida) é próprio das crianças!


Agora, um grande problema: como você vai fazer isso se passar o dia fora, estudando ou trabalhando? Com quem a criança vai passar a maior parte do tempo, pra que isso seja ensinado, re-ensinado, passado, repassado, etc. Ninguém, nem mesmo as pessoas que mais amam seu filhinho, terão condições de desempenhar bem essa tarefa que é sua! E tem mais: as crianças refletem como um espelho o jeito, as atitudes, o caráter, o modo de falar, etc. daqueles com quem mais ela convive. Se não for com você e com o seu marido, você poderá ter surpresas desagradáveis ao constatar certas características indesejáveis (adquiridas de terceiros) no comportamento de seu filho.

Cena 3: Mãe com a filhinha passeando no supermercado, que vê um pirulito ou bombom, etc e faz o maior escândalo porque a mãe não comprou o que ela queria E a mãe não consegue conter o choro rebelde da menininha... (Por falar em choro, embora seja a maneira natural das crianças expressarem os seus sentimentos, ele nunca deve ser descontrolado e rebelde. Os pais devem atentar pra isso e corrigir).

5°) Treine a criança para não ser dependente além do necessário.


Quando a idade chegar, ensine-a a comer sozinha, a escovar seus dentes, a tomar banho e realizar outros hábitos de higiene, arrumar seus brinquedos, suas roupas, seu quarto. Não faça tudo por ela, para que sua criança não dependa em tudo de você. A criança deve saber que todos em casa têm direitos e deveres: papai, mamãe e ela também. Todos devem cumprir suas tarefas de bom grado ,e como dizia uma querida irmã em Cristo: CANTANDO!

Cena 4: Mãe apressada e nervosa - porque está atrasada para o culto - e os filhos aparecem com cabelo por pentear, tênis por amarrar, roupas inadequadas, etc. Não sabem fazer nada sozinhos (só o que querem!). 

6º) E claro: muito, muito, muito carinho, amor e brincadeira! – como diz meu marido, as crianças precisam desesperadamente de duas coisas: carinho e “peia”! Mas tem pais que lembram muito mais da peia do que de brincar, fazer carinhos, rolar no chão, gastar tempo com seus filhinhos, etc. E vice-versa. Peçamos a Deus equilíbrio!

7°) Por fim, algumas dicas práticas para os primeiros dias:
  • Amamentação
  1. Tente o mais que puder amamentar seu bebê. Quanto mais ele mamar, mais leite será produzido. Não existe leite fraco.
  2. O bebê deve abarcar o máximo possível do seio,  para não feri-lo. Quando for trocar o seio na mamada, coloque seu dedinho no cantinho da boca do bebê para quebrar o poder de sucção e não ferir o mamilo. 
  3. Todo bebê tem o instinto de sugar e isso o acalma. Alguns até que são calmos por natureza mas muitos vão querer passar o dia todo sugando alguma coisa pra se sentirem emocionalmente bem. Se não quiser passar o dia inteiro com ele pendurado em você, coloque-o no berço ou carrinho bem aconchegado (travesseiros, etc) e ofereça-lhe (normalmente, a princípio, eles rejeitam, mas depois, dá um bom sossego) uma chupeta (de preferência pequena e macia, o mais parecida possível com o seu seio, com o qual está acostumada). (Você pode molhá-la ou com o leite materno, ou um chazinho qualquer, pra incentivá-lo a aceitar.).
  • Cólicas:
  1. Quando bebê tiver cólica, deite-o de bruços, com o bumbumzinho pra cima para ajudar a expelir os gases. Ou então, deite-o de costas e empurre as perninhas sobre a barriga. Vai fazer algum barulho, mas ele sentirá alívio.
  2. Se estiver com dor e você não sabe onde é, não fique sacudindo o bebê à toa (eu fiz isso muitas vezes e até que deu certo). A dor pode piorar. Coloque-o no seu colo e aperte junto ao seu peito, para que seja aquecido, converse baixinho com ele, cante, etc. Nestas horas é preciso dar o colo mesmo. Se não resolver, consulte o seu pediatra sobre que remédios ele pode tomar em caso de cólicas, dor de ouvido, etc.
Obs: Às vezes, choros intensos sem explicação podem ser resolvidos com um banho morno, ou um barulho forte e intenso (pode ser até uma bronca do pai!).
O balanço e um barulhinho monótono geralmente acalmam as crianças: É por isso que elas geralmente dormem bem enquanto estão passeando de carro -  ou até com o barulho do aspirador de pó!



  • Dicas e Rotina:
  1. Se possível, faça preparativos de antemão para ter a casa pronta para a chegada do bebê: aquela faxina que precisa ser feita, a arrumação de um cantinho para a cômoda do bebê, a organização da lavanderia… e aproveite também para cozinhar em dobro e congelar metade de refeições como lasanha, feijão, sopas, massa de pizza e outros pratos que podem ser congelados para usar nos dias mais difíceis depois do parto.
  2. Lembre que podemos criar filhos com muito pouco recurso material e que o Deus que deu o mandamento de termos filhos e os abençoou também irá prover o necessário para a sua criação. Não se deixe levar pelo consumismo dos nossos dias que requer que tenhamos um quarto de bebê decorado e equipado com guarda-roupas, cômodas, berço, cadeira de amamentar, etc. Um colchãozinho no chão ou berço caseiro servem. Qualquer pia ou bacia servem de banheira; ou melhor, bebês amam banho de chuveiro quente! Use rede ao invés de cadeira de embalo, compre roupinhas usadas na OLX ou empreste de amigos, use tampas e utensílios de cozinha em vez de brinquedos, e mesmo os gastos com a educação podem ser significativamente  reduzidos se você optar por ensinar seus filhos em casa. 
  3. Aceite ajuda. Sempre que possível, e ainda que você esteja se sentindo bem, deixe que as pessoas lhe ajudem no primeiro mês após o parto. O marido também sabe segurar o bebê! Irmãos mais velhos - normalmente a partir dos 5 ou 6 anos de idade - já podem aprender a segurar o bebê quando sentados, e certamente podem ajudar com as tarefas de casa. Mães, irmãs, tias, avós, amigos podem ser de muito auxílio nos primeiros dias - seja para ajudar na cozinha, na limpeza, fazer compra, etc. Evite a síndrome de “super-mãe” que pode acabar lhe deixando física ou emocionalmente fragilizada.
  4. Por outro lado, não deixe que esses “ajudantes de fora” ditem a sua rotina, decisões e acabem atrapalhando os relacionamentos familiares mais importantes, que são com o seu marido e filhos. Cada família e cada mãe tem as suas individualidades e é comum que outras mães ou avós aproveitem a insegurança que você sente e queiram ditar coisas como alimentação, organização, mamadas, posições… Em muitas coisas triviais você pode simplesmente seguir seu instinto materno. Em questões mais sérias, consulte sempre o seu marido tomem decisões que assegurem a manutenção dos princípios e intimidade familiar. 
  5. Apesar das dificuldades que surgirão, priorize a sua comunhão com Deus e não deixe de encontrar um tempo para orar e para a sua devocional diária. A hora das mamadas é sempre um momento tranquilo e que pode ser usado para a leitura e oração. Coloque sua Bíblia e livros devocionais ao alcance dos lugares em que você costuma amamentar. 


INCENTIVOS PARA A DEDICAÇÃO EXCLUSIVA DAS MÃES AO LAR:


  • É um grande privilégio ser mãe de tempo integral. É tão gostoso poder cuidar, brincar, deitar numa rede com eles, acompanhar seu desenvolvimento, seu progresso na aprendizagem, etc.)
  • E por falar em aprendizagem: a você é dado o privilégio de ensiná-los desde a mais tenra idade (em todas as áreas) e principalmente de educá-los no temor do Senhor (“ao sentar, ao levantar, andando pelo caminho”... Deut.6:1-9)
  • Economicamente falando: você vai economizar por não ter que trabalhar fora (gasta-se muito com vestuário, transporte, empregadas, etc.), e ainda vai proporcionar uma vaga de emprego a alguém mais necessitado [você já parou pra pensar: muitos homens não tem emprego, hoje, pra sustentar suas famílias,  em parte, porque mulheres (que nem precisariam estar lá) preencheram as vagas disponíveis?].
  • Problemas: É verdade que nem tudo são flores:
  1. É uma atividade, na maior parte das vezes, SOLITÁRIA – O marido sai pra trabalhar de manhã cedinho e só volta pra casa no fim do dia. Isso pode nos fazer sentir solitárias. Mas lembre: você tem liberdade! É sua própria chefe. Pode fazer sua rotina a gosto. Pode sair com o bebê, leva-lo pra tomar sol, visitar as avós ou outro programa qualquer. E você ainda tem tempo pra fazer coisas úteis em casa: estudar, ler um bom livro, fazer um curso de línguas (tem muito material bom nas bancas de revistas e na internet), de decoração, de culinária (daquilo que mais lhe agrada), etc.
  2. Muitas das atividades rotineiras parecem sem importância: todo dia fazer aquelas mesmas coisas que se tornam monótonas e parecem sem relevância, enquanto outras mulheres saem, fazem carreira, “realizam-se” profissionalmente, etc.  -  Parece assim, mas lembre-se: a sua rotina não precisa ser monótona! Você tem liberdade para criar, inovar, transformar, tornar prazeroso o seu dia-a-dia com os seus filhos, e lembre-se: sua presença constante (como sal e luz) pode influenciar o destino eterno deles!
  3. E a tal da “realização profissional”? – Bem, talvez você não consiga realizar algum sonho de criança (profissionalmente falando), e nem obtenha o reconhecimento (formal) da sociedade na qual vive, mas certamente, você estará sendo muito mais útil à ela, provendo-a de bons cidadãos (seus filhos). Além do mais, o que adianta ser uma pessoa bem sucedida lá fora e ter uma família desestruturada ou desajustada? Há muitas pessoas que podem lhe substituir no papel de advogada, professora, bancária, médica, funcionária. pública etc. MAS NINGUÉM PODE LHE SUBSTITUIR À ALTURA NO SEU PAPEL DE MÃE.


"A mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata, com as próprias mãos, a derruba" (Prov. 14:1)





segunda-feira, 16 de abril de 2018

NOVIDADES NO MACÃS DE OURO!!!


 Queridos leitores,

Agradecemos de coração pela suas visitas e participações no nosso blog, mesmo durante esse início de ano em que praticamente paralisamos as postagens por aqui.. Mas acho que as mamães dentre vocês poderão compreender a razão: é que tanto eu, Karis, como minha irmã Anna Layse fomos abençoadas com mais dois filhinhos da aliança: meu pequeno Luke, que está completando três meses e a recém-nascida Mercy, filhinha da minha irmã. Os cuidados com o bebê e a com a casa parecem triplicar nessa fase, e por isso tivemos que voltar toda a nossa atenção para a família. Mas graças a nossa mãe Layse e à nossa sogra, Markie e a duas jovens irmãs queridas, Juliana e Renade, que se ofereceram para nos ajudar com as traduções e postagens, desejamos retomar as atividades aqui no blog, e vamos começar com materiais inéditos!

Nesse contexto de maternidade, fomos presenteadas com um material compilado por nossa mãe Layse Anglada por ocasião de um chá de bebê em nossa igreja, o qual chegou em boa hora para nos relembrar da importância de nosso papel de mãe (e de várias dicas práticas também!). Resumindo os principais princípios cristãos e vários conselhos de mães e senhoras mais experientes, “Conselhos para Mães de Primeira Viagem” é um verdadeiro presente “de mãe para filha”! Essa será nossa próxima postagem. Espero que gostem também!

A Mãe no Lar
Queremos ainda aproveitar o tema da Maternidade para anunciar a publicação do livro A Mãe no Lar, de John Abbot, que considero um dos melhores materiais que já li sobre a responsabilidade, o valor inestimável e os belos frutos da maternidade bíblica. 

Vários dos capítulos desse livro já foram postados em nosso blog na medida em que foram traduzidos, e foram recebidos com muito apreço por nossos leitores, mães e pais também! Devido a acordos com a editora, tivemos que retirar o material aqui do blog, mas eles nos permitiram deixar o primeiro capítulo disponível, e assim vocês podem ter um gostinho do valor desse clássico sobre criação de filhos na disciplina e admoestação do Senhor. Mas garantimos, mesmo a vocês que já leram alguns capítulos aqui, que o livro impresso ficou ma-ra-vi-lho-so. Com bela capa e formatação atraente, espaços para anotações (journaling) e com os capítulos subdivididos em sugestões de leituras diárias - o que em nossa experiência é de grande ajuda para mamães ocupadas – A Mãe no Lar continuará sendo um companheiro de cabeceira para muitas mães fiéis e alegres de crianças e jovens piedosos e tementes a Deus. Adquira o seu exemplar ou presenteie outras famílias comprando na livraria online da Editora Knox Publicações. 

Além disso, muitos pais têm nos pedido indicações de livros clássicos cristãos, e em vista da carência de materiais assim na nossa língua, a minha sogra Marki Davis tem coordenado a tradução do belo livro do alemão Christoph Von Schmid “A Cesta de Flores - Um Conto para Crianças”. Trata-se de uma tocante história sobre uma menina e seu pai jardineiro, que lhe ensina, por meio de suas flores, lições de piedade que sustentarão a jovem no poder da verdade e do perdão em meio à perseguição e falsa acusação que precisarão enfrentar. Disponibilizaremos aqui os capítulos desse livro à medida que forem sendo traduzidos. 

Esperamos que esses materiais venham a suprir um pouco da necessidade de bons clássicos cristãos em nossa língua, tanto para os pais como para os filhos. Um grande abraço, e fiquem de olho nas novas postagens! 


Karis Davis

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Uma Reflexão sobre o Novo Ano - por Frans Bakker

A Longanimidade de Deus

Uma Reflexão sobre o Novo Ano



“Então, Jesus proferiu a seguinte parábola: Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e, vindo procurar fruto nela, não achou. Pelo que disse ao viticultor: há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não acho; podes cortá-la. Porque está ela ainda ocupando inutilmente a terra? Ele, porém, respondeu: Senhor, deixa-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e lhe ponha estrume. Se vier a dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la.”
Lucas 13:8

A figueira sem frutos mencionada por Jesus no evangelho de Lucas, no capítulo 13, é uma ilustração de qualquer indivíduo no seu estado natural. Um justo veredito é pronunciado contra esta árvore em razão dela não produzir fruto algum. A realidade é que ela deve ser cortada e descartada.
Mas a figueira recebe um intercessor na pessoa do jardineiro. Este mantenedor da vinha pede ao dono da mesma para dar a ele mais um ano. Ele gostaria de tentar cuidar dela por mais um ano para ver se ela produzirá fruto. “Deixe-a por mais este ano somente, até que eu escave ao seu redor e lhe ponha estrume. Se vier a dar fruto, bem está; se não, poderá ser cortada”.

Aqui nós vemos o nosso próprio retrato, pois muitos de nós nos parecemos com esta figueira. Esta árvore representa você e eu. Ah, se nós pudéssemos enxergar isto! No ano que se passou não houveram quaisquer frutos visíveis! O dono da vinha vem olhar e não vê fruto algum. Você foi colocado na vinha do Senhor para produzir frutos, mas onde eles estão? Será que você produziu apenas folhas? Graciosamente, foi permitido a você que adentrasse um novo ano. Mas poderia você culpar a Deus se Ele não lhe houvesse permitido chegar até aqui?
Certamente, você não pode dizer coisa alguma se a árvore da sua vida for cortada fora. Examine a si mesmo e pergunte: Será que eu produzi frutos que glorificassem a Deus no ano que agora se passou? Considere o quanto você deve a Deus e examine a extensão do seu foco no Senhor neste ano que se passou. Deus merece e requer os seus frutos. A árvore da sua vida está plantada na vinha de Deus, e Ele não lhe faz injustiça alguma quando lhe pede por frutos. Embora os frutos estejam faltando, Deus ainda demanda justamente a sua colheita.
Considerando tudo isto, não é um milagre lhe ter sido permitido adentrar este novo ano? Você não deveria se humilhar ao ver que Deus ainda não desistiu de você? Não apenas você falhou em produzir bons frutos, mas você ainda produziu frutos contaminados e podres. Contudo, não obstante tudo isso, o nosso Senhor é longânimo e diz: “Senhor, deixe-a ainda este ano...”. O Senhor não retém a sua bondade, apesar de você não deixar de pecar.
Mas lembre-se de que um julgamento adiado não significa um julgamento cancelado. Se a figueira não gerar fruto algum, então o jardineiro dirá ao dono: “Se vier a dar fruto, bem está; se não mandarás cortá-la.” O sopro final da trombeta soará e “no lugar onde a árvore cair, ali ficará”. No entanto, até agora, nós ainda somos exemplos da longanimidade de Deus. O Senhor ainda nos suporta. Ele suporta as nossas faltas, nos apoia ou levanta quando caímos e até nos carrega de volta. Ele adia o seu julgamento. Você merecia julgamento, mas este ainda não foi levado a efeito.
Ainda há tempo.

Deus adia o julgamento a fim de que Ele possa cancelá-lo! Um novo ano é também um tempo de graça e de misericórdia. E o que você fará, pessoalmente, com este tempo precioso que Ele lhe concede? Bata, chame e busque antes que seja tarde demais. O tempo é valioso e há poucas oportunidades sobrando para responder ao chamado de Deus. O Senhor não tem prazer na sua morte, mas deseja, antes, que você venha a remir o tempo que Ele concedeu tão misericordiosamente a você.
Que este ano venha a ser um ano genuinamente novo para você. Que bênção seria se a sua vida tivesse um real recomeço neste ano! A sua vida não pode continuar a mesma. Ela precisa ser mudada e transformada. Você precisa ser convertido!
Do mesmo modo, se você já é um filho de Deus, não é por causa dos seus próprios merecimentos que você adentra este novo ano. É apenas porque o Senhor lhe tem carregado em seus ombros e sustentado dia após dia. É apenas por causa da oração do Grande Intercessor que está assentado à destra de Deus. Se há qualquer fruto na sua árvore, ele não foi produzido por você, mas somente em Cristo e por meio de Cristo (Oséias 14:8).

Ao iniciar um novo ano, a minha oração é que isto faça com que você seja profundamente dependente Daquele que sustenta todas as coisas. A sua velha natureza está contra você. O que você virá a oferecer ao Senhor com uma mão, primeiro precisa ser concedido a você, por Ele, pela outra mão. Como isso deve nos humilhar, pois não possuímos ou produzimos nada de acordo com os nossos próprios labores. Nesta vida, tudo vem do Pai.
Bem-aventurados os pobres de espírito, pois serão fartos e se tornarão ricos!   



*Texto traduzido e adaptado da obra "The Everlasting Word", de Frans Bakker (1919-1965), da editora Reformation Heritage Books.   
  


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Mulheres da Reforma Protestante - Lady Jane Grey

Lady Jane Grey
(1537-1554)

“A história que raramente é contada sobre a Reforma é a história das mulheres da Reforma. Nós tendemos a contar a história de todos os homens, e isto porque eles é quem foram os pastores, e nós que cremos nos ensinos baseados nas Escrituras, sabemos que o pastorado é um ministério reservado apenas para homens. Nisso, contudo, nós nos esquecemos do fato de que as mulheres também tiveram um papel muito significativo na história da Reforma Protestante.” (Crossway publications)

O papel que a maioria delas exerceu foi como esposas. Nós não teríamos Martinho Lutero, e tudo o que ele pôde realizar em prol do verdadeiro evangelho sem a sua esposa Kathe, a qual o auxiliou, apoiou e complementou em todas as áreas. “Estas mulheres receberam grandeza dos seus maridos, e retribuíram transmitindo delicadeza, bondade e beleza às suas vidas e ministérios. O que teria sido de Lutero sem a sua Kathe? De Zwinglio, sem Anna, a sua inseparável companheira? As mulheres da Igreja Reformada têm sido um elemento importante na sua história. Assim como Débora e Ester, juntamente com as Marias do Novo Testamento, ajudaram a construir a história bíblica, assim também as mulheres da Reforma têm contribuído para tornar a sua história ainda mais gloriosa.” (James I. Good – As Grandes Mulheres da Reforma)

Mas também houveram outras mulheres que fizeram excelentes e significantes contribuições por si próprias. Segundo Stephen J. Nichols, historiador e presidente do Reformation Bible College, bem como chefe acadêmico do Ministério Ligonier, uma das histórias que precisam ser contadas e rememoradas é a de Lady Jane Grey, que, além de mulher, foi uma jovem mártir da Reforma, fiel e piedosa, a qual também ficou conhecida como a Rainha dos Nove Dias. Ela recebeu este título por ter assumido o trono da Inglaterra por um período de apenas nove dias - sendo então destronada pelos seus adversários católicos e trancafiada na torre adjacente ao castelo, para então ser decapitada, em virtude da sua fé e amor a Cristo, com apenas dezessete anos de idade.

Em sua série de palestras “Reformation Profiles” (Perfis da Reforma) baseadas nos cinco “Solas” da Reforma Protestante, Nichols relaciona cada “sola” a um dos personagens principais deste período: Sola Scriptura a Martinho Lutero; Sola Gratia a Ulrich Zwingli; Sola Fide a Lady Jane Grey; Solus Christus a João Calvino e Soli Deo Gloria aos pós-reformadores e à rica herança que estas doutrinas deixaram para a verdadeira Igreja de Cristo. 

Daí a importância de conhecermos um pouco mais sobre esta jovem heroína da fé Cristã, Lady Jane Grey. Desde o início de sua adolescência, vemos que ela já possuía uma grande habilidade com as línguas. Ela já dominava o Latim e o Grego, e estava estudando o Novo Testamento em Grego. Ela escreveu uma carta a Martin Bucer, o teólogo que Calvino fez questão de ter como o seu tutor em Strausberg, perguntando a ele qual seria o melhor método para se estudar o Hebraico, a fim de que ela pudesse estudar o Antigo Testamento na sua Língua original. Ela tinha apenas por volta dos treze anos de idade, nessa época, e já dominava as línguas Grega e latina, as quais utilizava para o estudo das Escrituras. 

Após a morte do seu primo, Edward VI, que a havia nominado como a próxima rainha, ela assumiu o trono da Inglaterra, ficando assim conhecida como a “rainha dos nove dias”. Contudo, a meia-irmã de Edward VI, Mary (que mais tarde ficaria conhecida entre os protestantes como “Maria, a sanguinária”, em virtude do grande número de protestantes que ela executou) conseguiu unir as forças populares e armadas da Inglaterra, convencendo-os de que tinha direito ao trono. Assim, as tropas marcharam pela cidade de Londres para entronar Mary, e Lady Jane Grey foi aprisionada na Torre de Londres.

Mary, que tinha fortes convicções católicas, reverteu a Reforma que já estava acontecendo na Inglaterra e levou o país de volta ao catolicismo. Mary enviou o Bispo Feckenham para ir interrogar  Lady Jane na torre do castelo e tentar persuadi-la a se tornar católica, a fim de que fosse livrada da morte. Contudo, neste processo, ela exaltou tanto a doutrina da suficiência das Escrituras (Sola Scriptura) e demonstrou tanto conhecimento ao defender a Justificação pela fé somente (Sala Fide), que Feckenham simplesmente se retirou, não conseguindo refutar os seus argumentos ou debater com ela.

A sentença foi dada e ela foi condenada, de modo que esta jovem, fiel, piedosa, ousada e cheia de graça e conhecimento da verdade foi executada em virtude da sua fé, tornando-se mártir da Reforma Protestante na Inglaterra. Pouco antes do seu martírio, Lady Jane Grey escreveu algumas palavras em sua cópia do Novo Testamento que ela estava deixando para a sua irmã. Ela escreveu sobre como exteriormente esse livro não era enfeitado com ouro, como eram alguns dos livros mais refinados em sua biblioteca, mas “interiormente valia mais do que pedras preciosas”. Pedro afirma que Deus nos doou “todas as coisas que conduzem à vida e à piedade” nas “preciosas e mui grandes promessas” da sua Palavra (2 Pedro 1.3-4). A Palavra de Deus é suficiente para nos dizer o que devemos crer para que sejamos salvos e como podemos agradar a Deus. A sua profunda convicção de que a justificação vem pela fé somente a capacitou para encarar até mesmo a sua decapitação com a plena confiança de que a salvação da sua alma descansava nas mãos do seu Salvador, e não nas suas próprias.

Podemos ter alguma noção da teologia e da piedade de Lady Jane a partir da leitura desta carta que ela escreveu na véspera do seu martírio à sua irmã mais nova, de quatorze anos de idade, na época, Katherine Grey. Ela diz:

“Viva para morrer, a fim de que, pela morte, você venha a adentrar a vida eterna, e então goze da vida que Cristo garantiu para você, por meio da sua morte. Não pense, só porque você agora é nova, que a sua vida será longa, pois tanto jovens, como velhos são levados por Deus, quando Ele os chama.”

No dia da sua execução, Lady Jane carregava consigo apenas um livro de orações, com trechos bíblicos ou provenientes das obras de Jerônimo, Ambrósio e Agostinho, reconhecidos pais da igreja do século IV. No seu discurso final, estas foram as suas palavras:

“Boas pessoas, eu cheguei até aqui para morrer, e pela lei, sou condenada para tal. O fato contra a realeza foi ilegítimo, bem como o seu consenso por mim. Mas, no tocante à busca e desejo deste por mim, de minha parte, eu lavo as minhas mãos em inocência perante Deus, e perante a face de cada um de vós, bons cristãos, neste dia.”

O que ela queria dizer com estas palavras é que ela reconhecia a sua culpa perante a lei no tocante ao seu consentimento em ter assumido a coroa, no entanto, ela se declara inocente quanto às acusações de ter buscado ou mesmo desejado o reinado. Tendo dito isto, ela continuou:

“Eu oro para que todos vós, bons cristãos, sejam testemunhas de que eu morro como uma verdadeira mulher cristã, e que eu busco ser salva por nenhum outro meio, senão unicamente pela graça de Deus, no sangue do seu único Filho Jesus Cristo: e eu confesso que, mesmo tendo conhecimento da Palavra de Deus, muitas vezes eu a negligenciei, busquei a mim mesma e ao mundo; e portanto, esta praga e julgamento estão, feliz e dignamente, ocorrendo a mim por causa dos meus pecados. Contudo eu ainda agradeço a Deus que, pela Sua bondade, tem me concedido tempo e oportunidade para me arrepender. E agora, boas pessoas, enquanto eu ainda vivo, eu peço que me assistam com suas orações.”

Ela então se ajoelhou e pediu que a audiência ali presente recitasse com ela as palavras do Salmo 51, que começa com a petição: “Tem misericórdia de mim, Ó Deus.” Após a recitação deste salmo, Lady Jane Grey novamente se levantou e se preparou para a sua execução. As suas últimas palavras foram a citação das palavras de Cristo, na cruz: “Senhor, em Tuas mãos eu entrego o meu espírito”.


O testemunho desta jovem mártir da Fé Reformada deve nos encher de temor e admiração, não simplesmente pela sua bela vida e testemunho cristãos, mas pelo Deus que lhe concedeu fé e graça para suportar tamanha provação com a plena confiança de que a sua alma estava nas mãos do seu Redentor. Este é o Deus que continua a operar na vida da sua Igreja, concedendo as mesmas graças àqueles que as buscam em sinceridade e verdade, confiados no sangue remidor do Cordeiro.